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Geração de imagens com IA · · 8 min de leitura

Midjourney: guia de prompts

Anatomia do prompt, parâmetros, sref e cref, personagens consistentes e correção de mãos. Um guia prático.

O Midjourney v7 não lê pensamentos. Ele lê o seu prompt. A diferença entre uma imagem aleatória e uma que vai parar no moodboard de um cliente não é “uma ideia melhor”: é uma estrutura de prompt melhor e o uso consciente dos parâmetros. Este guia é para designers e criadores que querem parar de “jogar dados” e passar a ter um processo repetível. Sem mágica. Só controle.

Anatomia de um prompt

Um bom prompt tem seis camadas. Você não precisa usar todas em cada imagem, mas, quando o resultado decepciona, quase sempre está faltando uma delas:

  • Assunto: o que aparece na imagem, por exemplo “uma relojoeira idosa em sua bancada”.
  • Técnica: o meio de expressão, como fotografia, aquarela, render 3D ou ilustração vetorial.
  • Estilo: uma referência estética, como art déco, brutalismo ou o cinema dos anos 1970.
  • Iluminação: rim light, hora dourada, neon, luz suave de janela.
  • Composição: enquadramento e lente, como close-up, plano aberto, vista de cima, 35mm.
  • Clima: melancólico, enérgico, clínico, de conto de fadas.

A ordem importa. O Midjourney dá mais peso às palavras do começo do prompt. Primeiro o assunto, depois técnica e estilo, e os detalhes técnicos por último. O que você realmente quer vai na frente.

Os parâmetros que você realmente usa

Os parâmetros vão no fim do prompt, depois de um hífen duplo. A lista que vale a pena saber de cor:

  • --ar 16:9: proporção da imagem. --ar 2:3 para pôsteres, --ar 3:2 para fotografia, --ar 1:1 para ícones.
  • --stylize 100: o quanto o modelo aplica o próprio gosto. Mais baixo significa mais fidelidade ao prompt; mais alto, um resultado mais bonito, porém mais “solto”.
  • --chaos 25: a variação entre as quatro opções de uma grade. Um chaos alto entrega quatro direções diferentes em vez de quatro parecidas.
  • --weird 250: estranheza controlada. Introduz escolhas estéticas incomuns, às vezes surreais.
  • --sref (style reference): você anexa uma imagem (ou um código de estilo) da qual o modelo empresta a estética, não o conteúdo.
  • --cref (character reference): mantém um personagem consistente de uma cena para outra (rosto, roupa).
  • --no: exclusão. --no text tira os letreiros da imagem, --no people esvazia a cena.

Faixas de valores: --stylize aceita 0-1000, --chaos 0-100 e --weird 0-3000. No começo, não mexa nos três ao mesmo tempo: mude um parâmetro e observe o que acontece. Do contrário, você nunca vai aprender o que cada um faz.

Quando aumentar e quando diminuir o stylize

Essa é a pergunta mais frequente, então vamos ao concreto. O --stylize é um controle deslizante entre “faça exatamente o que eu escrevi” e “deixe bonito do seu jeito”.

  • Baixo (0-100): para um briefing preciso, layout de produto, diagrama, composição exata. O modelo obedece às palavras.
  • Médio (100-300): a zona padrão para a maior parte do trabalho comercial. Um equilíbrio entre controle e beleza.
  • Alto (500-1000): quando você busca inspiração, um pôster, algo impactante, e a fidelidade aos detalhes não importa.

Regra prática: quanto mais detalhado o prompt, mais baixo o --stylize. Stylize alto num prompt longo e preciso é receita para frustração, porque o modelo começa a “melhorar” justamente aquilo que você queria exatamente como escreveu.

Prompts de permutação

Os permutation prompts são a forma mais rápida de explorar variações sem redigitar tudo à mão. Chaves com opções separadas por vírgula geram todas as combinações de uma vez. Descrevendo em palavras: você escreve o assunto, no lugar da técnica coloca uma chave com três opções (fotografia, aquarela, render isométrico) e, no lugar da hora do dia, uma segunda chave (amanhecer, entardecer). Três vezes dois dá seis jobs com um único comando.

Use isso no início de um projeto: um eixo é a técnica, o outro é o clima. Em poucos minutos você tem um painel de direções e escolhe uma para refinar. Atenção ao custo: as permutações multiplicam o número de gerações, então mantenha as listas curtas (2-4 opções por eixo).

Prompts com imagem e mesclagem

Você pode colar uma ou mais URLs de imagem no início do prompt, e o Midjourney vai tratá-las como ponto de partida visual. Três usos:

  1. Imagem + texto: a imagem define a direção e o texto dita as mudanças (“este prédio, mas ao entardecer, na chuva”).
  2. Mesclar duas imagens: você funde a estética e a forma de duas fontes em um único híbrido.
  3. Image weight: o parâmetro --iw controla o quanto a imagem pesa mais do que a descrição em texto.

Não confunda isso com o --sref. Um prompt de imagem afeta tanto o conteúdo quanto o estilo. O --sref pega apenas a estética (a paleta, a textura, o jeito como a luz é pintada) e deixa o assunto por conta do seu texto. Para uma série visualmente consistente, use --sref, e não um prompt de imagem cru.

Personagens consistentes

É o problema mais difícil no trabalho com o Midjourney e o motivo mais comum para os clientes voltarem com pedidos de ajuste. O --cref resolve a maioria dos casos:

  • Primeiro, gere um retrato marcante do personagem, que você realmente goste. Esse é o seu cânone.
  • Anexe a URL dele com --cref aos próximos prompts, com novas cenas e poses.
  • O parâmetro --cw (0-100) controla o quanto o modelo preserva: um --cw 100 alto copia rosto, roupa e cabelo; --cw 0 mantém só o rosto e deixa o resto livre.

Para trocar a roupa do personagem entre as cenas, abaixe o --cw; do contrário, o modelo insiste no mesmo casaco. Consistência não é mágica, é disciplina: uma imagem canônica e fidelidade a ela durante a série inteira.

Como corrigir mãos e texto

Dois pontos fracos clássicos. As mãos melhoraram na v7, mas ainda podem falhar. O que funciona:

  • Mãos: evite enquadramentos com as mãos abertas em primeiro plano. Use o Vary (Region), selecione só a mão e regenere apenas esse trecho.
  • Texto: frases curtas entre aspas às vezes saem certas; as mais longas, quase nunca. Logotipos e letreiros de que você realmente precisa devem entrar num editor gráfico. Não brigue com o modelo por causa da ortografia.
  • Se você não quer letras aleatórias na imagem, acrescente --no text.

Upscale e Vary (Region)

Da grade de quatro imagens você escolhe uma e aumenta a resolução (Upscale). Essa é a etapa de finalização, não a de exploração. Duas ferramentas que vale a pena conhecer:

  • Vary (Subtle / Strong): gera variações da imagem inteira. O subtle preserva a composição; o strong deixa a imagem se afastar dela.
  • Vary (Region): você seleciona um trecho (fundo, mão, detalhe) e regenera só ele, opcionalmente com um novo prompt para essa área. Isso é inpainting, e é a ferramenta mais poderosa para fazer correções sem perder o resto do quadro.

Regra de estúdio: primeiro componha uma boa base pelo prompt e só depois corrija com o Vary (Region). Tentar acertar tudo com um único prompt perfeito é perda de tempo.

Erros comuns

A maioria das decepções com o Midjourney vem de um punhado de causas recorrentes. Antes de culpar o modelo, confira se você não está cometendo um destes erros:

  • Prompt sobrecarregado: vinte adjetivos não deixam a imagem mais rica, só mais confusa. O modelo distribui sua “atenção” entre todas as palavras, e nenhuma delas se destaca. Fique com um assunto claro e poucas características fortes.
  • Sinais conflitantes: “minimalista, ricamente ornamentado, barroco, limpo” são quatro direções ao mesmo tempo. O modelo tira uma média de tudo e entrega um mingau. Decida-se.
  • Brigar com os parâmetros em vez de ajustar o prompt: se a composição está errada, o --stylize não vai consertá-la. Primeiro corrija a descrição do assunto e do enquadramento; deixe os parâmetros para o final.
  • Escrever negações no corpo do prompt: “sem fundo” no corpo do prompt às vezes acrescenta um fundo, porque o modelo enxerga a palavra “fundo”. Para exclusões, use --no, e não uma frase negativa.
  • Abandonar uma boa seed: quando você chegar a uma composição perto do objetivo, não recomece do zero. Use o Vary ou o --sref a partir dessa imagem para manter o que já funciona.

A regra principal: um prompt, uma intenção. Explore bastante no começo e depois afunile. Os melhores resultados raramente aparecem na primeira grade; eles aparecem na terceira ou na quarta, quando você já sabe o que quer e diz isso ao modelo de forma mais simples.

Cinco prompts de exemplo

  1. Retrato de produto: um relógio sobre pedra escura, fotografia macro, luz suave de janela vindo da esquerda, pouca profundidade de campo, clima minimalista, --ar 4:5 --stylize 80.
  2. Pôster de filme: uma figura solitária numa rua vazia, na chuva, à noite, neon, cinema dos anos 1980, plano aberto, --ar 2:3 --stylize 600 --chaos 20.
  3. Série com mascote consistente: retrato canônico + uma nova cena (o mascote tomando café num escritório), ilustração vetorial chapada, --cref [url] --cw 80 --ar 1:1.
  4. Exploração de estilo: assunto fixo, uma chave de permutação na técnica (aquarela, nanquim, render isométrico), --ar 3:2 --chaos 40.
  5. Render de interiores: uma sala de estar escandinava na hora dourada, fotografia de arquitetura, lente 24mm, luz quente, --ar 16:9 --stylize 150 --no people.

TL;DR

Monte o prompt em camadas, nesta ordem: assunto, técnica, estilo, iluminação, composição e clima. --stylize baixo para briefings precisos, alto para inspiração. O --sref copia a estética, o --cref segura o personagem. Permutações para explorar, prompts de imagem para híbridos. Corrija mãos e detalhes com o Vary (Region) e adicione o texto num editor. O Midjourney recompensa estrutura, não sorte.

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